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VOCÊ É O SINAL

“Apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados. Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.” (Marcos 1:4,5).

Bom dia!

Não é sem razão que este é o menor dos Evangelhos. Marcos é objetivo e inicia seu relato dizendo: “Apareceu João Batista pregando no deserto.” Lucas, mais detalhista e investigativo, nos conta as circunstâncias do nascimento de João. Seus pais, Zacarias e Isabel eram idosos, Isabel, estéril. Durante seu turno de serviço sacerdotal, Zacarias teve uma visão do anjo Gabriel.

Foi o anjo Gabriel quem deu nome ao menino, uma promessa a pais idosos e a uma mulher estéril, dizendo que ele se chamaria João. Seu nome não era comum na família e as pessoas estranharam: Yehochanan, que pode ser decomposto em Yehovah Chanan que significa “o Senhor é gracioso,” “Jeová demonstrou graça” ou “Jeová é um doador gracioso”.

Seu nome antecipa o anúncio daquilo que Deus deseja fazer e Gabriel acrescenta que ele seria cheio do Espírito Santo desde o ventre materno: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.” (Lucas 1:15).

Marcos nos diz que João apareceu no deserto pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados e que as multidões saíam a ter com ele, confessavam seus pecados e eram batizadas. É importante lembrar que no tempo de João o ofício sacerdotal estava ativo, seu próprio pai era sacerdote, mas, por alguma razão, eles não foram a voz de Deus para sua geração. Sua prática religiosa não foi capaz de gerar contrição e arrependimento no povo de Deus. Este é um risco que todos corremos, o risco de nos tornar irrelevantes.

Por essa razão, devemos cuidar de nosso relacionamento com Deus e fugir dos moldes mundanos: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1,2).

João não era sacerdote, nem profeta do templo, seu púlpito foi o deserto, o que, de certa forma, lembra o relacionamento e a aliança de Deus com seu povo durante o Êxodo. João é considerado o último profeta do Antigo Testamento e, diferentemente de outros profetas que realizaram grandes milagres, seu sinal foi sua palavra e sua vida. Ele não ressuscitou mortos, não curou enfermos, nem expulsou demônios, mesmo assim, mobilizou as multidões e as levou ao arrependimento.

Todos nós, discípulos de Jesus, temos nossa vida e nossa palavra como sinal. É possível que nunca sejamos usados por Deus para ressuscitar mortos, curar enfermos e confrontar demônios. Somos, porém, chamados ao testemunho diário com a vida e com a palavra. Primeiro com a vida, depois com a palavra. Para sermos boas testemunhas, precisamos nos encher do Espírito Santo. Todos os salvos em Cristo Jesus, somos chamados para luzir e salgar, para ser o bom perfume de Cristo, cartas vivas escritas pelo Espírito Santo e enviadas ao mundo, testemunhas para nossa geração: “Vocês manifestam que são carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações.” (2 Coríntios 3:3).

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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