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NÃO AME ESTE MUNDO

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” (1 João 2:15,16).

Bom dia!

Questionado por um escriba sobre qual era o principal de todos os mandamentos, Jesus respondeu: “O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Marcos 12:29-31).

Os Evangelhos deixam claro que o amor não é um mandamento novo. Você deve amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como ama a si mesmo, mas não deve amar o mundo.

A grande antítese apresentada por João, entretanto, é amar o mundo em oposição a amar a Deus. Tiago diz claramente: “Adúlteros! Não percebem que a amizade com o mundo os torna inimigos de Deus? Repito: se desejam ser amigos do mundo, tornam-se inimigos de Deus[1].” (Tiago 4:4).

O mundo, neste caso, não é o universo criado, pois Deus manifesta seu poder, sua sabedoria e sua divindade por meio da criação: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas.” (Romanos 1:20).

Igualmente, não indica a humanidade, pois Deus amou o mundo e se deu por ele: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).

Trata-se, nesse caso, do sistema carnal, maligno, autônomo e corrompido que, após a queda, exerce governo sobre os homens. Indica a multidão sem Deus, a massa de homens separados dele.

João adverte que no relacionamento com o mundo há três gêneros de concupiscência: a concupiscência da carne, que consiste em atender os apetites da carne; a concupiscência dos olhos, que é expressa na vaidade, na aparência, no status e no poder; e a soberba da vida que se expressa na arrogância e no orgulho, na soberba de uma vida autônoma.

O evangelista americano John Wilbur Chapman (1859-1918) disse certa vez: “Não é o navio na água, mas a água do navio que o afunda. Portanto, não é o cristão no mundo, mas o mundo no cristão que constitui o perigo.” José viveu no Egito, recebeu um nome e uma posição de autoridade do próprio faraó, mas o Egito não entrou em José. Daniel viveu na Babilônia, recebeu um nome e autoridade do rei da Babilônia, porém, a Babilônia não entrou em Daniel.

É perfeitamente possível viver no mundo sem se conformar com o mundo, sem tomar a forma, o molde do mundo: “Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês.” (Romanos 12:2).[2]

João recomenda aos discípulos de Jesus a não amar o mundo, nem as coisas que há no mundo. Jesus diz que nosso coração está onde está o nosso tesouro. Não temos outra alternativa senão viver no mundo, mas podemos cuidar de nosso coração e investir nosso tempo, nossa energia e nosso amor naquilo que é eterno, pois: “O mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.” (1 João 2:17).

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[1] BÍBLIA. Nova Versão Transformadora. Editora Mundo Cristão, 2016.
[2] Idem.

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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