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MORTOS A SEPULTAR MORTOS

“Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.” (Lucas 9:60).

Bom dia!

Este não é um versículo fácil de entender. Nele Jesus parece insensível, logo Ele, que é Amor. Estaríamos diante de uma contradição? De uma maneira geral, os intérpretes entendem a atitude daquele que se nega a seguir Jesus e apresenta como justificativa o dever de enterrar o pai, como procrastinação, não valorização do chamado e desvalorização do reino de Deus.

Ele não diz para Jesus que seu pai está morto, mas pede para ficar com ele até que o pai morra e seja sepultado, para, só então, seguir a Jesus, o que poderia levar muitos anos. Diante disso, Jesus insiste com ele: “Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos”.

Aqui, nos deparamos com uma ampliação do conceito de “morte”, pois não se trata apenas de morte biológica, pois aqueles que estão separados de Deus e priorizam a vida mundana, estão mortos para Deus, são mortos sepultando mortos.

A Bíblia utiliza os termos “vida” e “morte” em oposição: a vida é um dom de Deus, a morte é o castigo pelo pecado. Pecado e morte andam em aliança. O homem recebeu a vida no Éden, quando o Senhor soprou nele o Sopro da vida. Ao receber o Fôlego, o homem passou a ser alma vivente (Gênesis 2:7). O homem vive porque o Fôlego de Deus está nele.

Deus criou o homem livre, à sua imagem e semelhança e lhe deu o governo da terra (Gênesis 1:26-28). Porém, estabeleceu uma cerca moral que se resumia na proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Se o homem desobedecesse a ordem e comesse do fruto dessa árvore, como consequência, morreria: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16,17).

O capítulo três do livro de Gênesis registra o momento em que a mulher e o homem pulam a cerca, desobedecem a Deus e comem do fruto para serem como Deus, mas não caem, imediatamente, mortos.

Paulo distingue a vida biológica (bios) da vida espiritual (zōē). Ao desobedecer a Deus, o Sopro se separou, saiu, deixou o homem, o que é a verdadeira morte. Biblicamente, estar morto é estar separado de Deus. Sendo assim, deixar os mortos sepultar os mortos, conforme o entendimento de Jesus é possível. Biblicamente, podemos encontrar, conversar e conviver com pessoas biologicamente vivas, mas separadas de Deus, espiritualmente mortas.

Foi precisamente isso que Jesus disse a Nicodemos, um dos principais dos judeus, quando recebeu sua visita de noite: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.” (João 3:5-7).

João simplifica essa verdade, ao dizer “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” (1 João 5:12).

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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