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CORDEIROS ENTRE LOBOS

“Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.” (Lucas 10:3-4).

Bom dia!

Ao designar os setenta discípulos e os enviar de dois em dois, Jesus os advertiu: “Eu que vos envio como cordeiros para o meio de lobos”.

Os enviados são mansos, pregam a paz, foram ensinados a abençoar seus inimigos, a orar por seus perseguidores, a oferecer a outra face, a perdoar setenta vezes sete vezes e a dar à César o que é de César.

Como um pequeno grupo como esse conseguiu sobreviver entre os lobos? Sem dúvida, apenas com a intervenção de Deus. Logo no início de sua história, nossos irmãos passaram por diversas e severas perseguições: Nero, Domiciano, Trajano, Marco Aurélio, Severo, Maximino, Décio, Valeriano, Aureliano e Diocleciano foram os dez primeiros perseguidores. Levados à Arena, os discípulos de Jesus eram concitados a abjurar, negar sua fé e seu Cristo, e sacrificar ao imperador.

Ficou célebre o martírio de Policarpo, bispo de Esmirna, o qual, antes de ser martirizado, foi assediado pelo procônsul que lhe disse: “Que mal há em dizer que César é Senhor, oferecer sacrifícios e fazer tudo para salvar-se?” Dentro do estádio, o juiz lhe disse: “Pensa na sua idade […] jura e eu te liberto. Amaldiçoa o Cristo!” Policarpo respondeu: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e Ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?”

Nos últimos séculos, os lobos mudaram suas táticas, tornaram-se imoralistas[1] e anticristãos. Seu trabalho principal é desqualificar, não a religião em geral, mas o cristianismo. Eles estão nas escolas, importante lugar de formação, em todos os níveis, mas, principalmente, no ensino superior.

Os jovens são levados a abandonar a cosmovisão cristã, que lhes é apresentada como ultrapassada e supersticiosa, e estimulados a abraçar a cosmovisão científica como a portadora das verdades. Na arena acadêmica, nem todos têm a força e a convicção de Policarpo e muitos abjuram sua fé e negam o Cristo. Os primeiros discípulos, porém, preferiram as feras.

Naquele tempo, Jesus disse aos seus enviados: “Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos.” Em nosso tempo, porém, aquele que se dispor a obedecer a Jesus e pregar o Evangelho também enfrentará a fúria do mundo e a ira dos anticristos.

Não obstante todo o esforço dos anticristos, não obstante o ataque sistemático ao longo da história, a Igreja avança, governada pelo Espírito Santo! Como diz o antigo hino: “Ninguém detém! É obra santa! Nem Satã, nem o mundo todo pode apagar esse ardor. Ninguém detém! É obra santa! Esta causa é do Senhor.”[2]

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[1] Doutrina que propõe regras diferentes ou contrárias as do sistema moral atual; reação ou desprezo à moral estabelecida.
[2] CARVALHO, Luiz de. Obra Santa.

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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