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APOLOGIA DE ESTEVÃO

“Estêvão respondeu: Varões irmãos e pais, ouvi.” (Atos 7:2a).
Bom dia!
O teólogo José Comblin (1923 – 2011), em seu comentário do livro de Atos, faz uma excelente análise do discurso de Estevão. Biblicamente, vários estudiosos apontam equívocos em alguns dados mencionados por Estevão. Sem entrar em filigranas, alguns pontos da apologia de Estevão merecem destaque.
Este, o mais longo discurso registrado por Lucas, foi elaborado seguindo as regras da oratória antiga. Entre o curto exórdio (abertura do discurso) e a peroração (fim do discurso), Estevão dividiu seu discurso em duas partes: narração e argumentação.
Ao fazer a narração, Estevão apresentou a história de Israel dividida em três fases: nomadismo, libertação do Egito e organização do culto.
Em sua argumentação, Estevão apresentou dois pontos que, em razão do contexto, foram retirados da própria Palavra de Deus. No primeiro argumento, Estevão mostrou a resistência dos antigos Israelitas contra Moisés e a Lei de Deus. No segundo, Estevão disse que não era propósito de Deus, nem foi sua iniciativa a edificação de uma casa para sua habitação.
Ao fazer sua apologia, Estevão, embora não tenha declarado, explicitamente, no exórdio, tinha em mente as acusações: falar contra o lugar santo e contra a Lei.
Estevão se defendeu ao dizer que os Israelitas rejeitaram Moisés e, em seus corações voltaram para o Egito dizendo a Arão: “Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.” (Atos 7:39). Além de cultuar um bezerro de ouro, eles também se entregaram ao culto dos astros, razão pela qual foram desterrados para a Babilônia.
Com relação ao templo, Estevão argumentou que edificar uma casa não foi iniciativa de Deus, que não habita em Templo feito por mãos humanas: “Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso?” (Atos 7:48,49).
Ao preparar a peroração, Estevão chamou seus acusadores de “homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos”, homens que, como seus antigos pais, resistiam ao Espírito Santo: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram?” (Atos 7:51,52).
Para deixar claro que nem seus julgadores, nem aquele tribunal possuía legitimidade, Estevão concluiu, afirmando: “Vossos pais mataram os profetas que anunciaram a vinda do Justo, mas vocês o traíram e assassinaram, vocês que receberam a Lei por ministério de anjos e não a guardaram. Ao ouvir Estevão, seus acusadores se encheram de fúria e rangiam os dentes contra ele. “Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus.” (Atos 7:55,56).
Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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