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SERÁ UMA ODISSEIA?

“Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela. Mas a justiça decorrente da fé assim diz: Não perguntes em teu coração: Quem subirá ao céu? Isto é, para trazer do alto a Cristo; ou: Quem descerá ao abismo? Isto é, para levantar Cristo dentre os mortos. Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos.” (Romanos 10:5-8).

Bom dia!

Tenho um amigo muito querido que me ensinou uma preciosa lição. Sendo ele uma pessoa com dificuldade para aceitar gentilezas, seu velho pai o instruía sempre, dizendo: “Meu filho, se alguém quiser te fazer uma gentileza, aceite.” Simples assim, não é verdade?

Certa vez, uma pessoa que eu conheço recebeu uma benção muito grande de alguém que ela não conhecia. Os dois se encontraram ele, generosamente, a abençoou, virou as costas e foi embora. Minha amiga ficou parada, sem saber o que fazer, a olhar ele partir. Naquela situação, sem saber o que fazer, ela perguntou a Deus: “Senhor, o que eu faço para agradecer? O Espírito Santo lhe disse: “Dê um abraço nele.”

Que ato extraordinário alguém necessita praticar para conquistar a salvação? Talvez porque em toda a nossa vida nada seja fácil, nada nos seja dado graciosamente, desenvolvemos a ideia de que tudo deve ser conquistado, nada é fácil, nada é grátis. Se vem fácil, tenha cuidado, pois “quando a esmola é muita, o santo desconfia”. Na polícia, eu instruía as pessoas que trabalhavam comigo, dizendo: “Não há cafezinho de graça. Mais cedo ou mais tarde, o preço vem.”

Conheço muitas pessoas que desconfiam da graça de Deus e procuram viver de modo a se purificar e crescer por meio do mérito pessoal. Se erram, não admitem que outra pessoa as substitua, assumem plenamente a responsabilidade e estão dispostas a aguentar as últimas consequências.

A carta do apóstolo Paulo aos Romanos pode ser lida como um longo debate entre a justiça que decorre das obras e a justiça que provém da fé, a justiça que decorre da prática da Lei, ou a justiça que é recebida pela fé. Em sua argumentação, Paulo pergunta: será que alguém tem que subir ao céu, ou descer ao inferno para tomar, por sua força e habilidade, a salvação? Seria necessária uma odisseia?

Odisseu, nome grego daquele que muitos conhecemos como Ulisses, é o herói do poema épico grego atribuído a Homero e que recebeu o nome de Odisseia. Derrotado na Guerra de Tróia, Ulisses enfrenta gigantes, sereias, deuses e passa por todo tipo de aventura para voltar para a sua casa. O texto escrito no século IX a.C., se tornou sinônimo para grandes e extraordinárias aventuras. Fazer uma odisseia é enfrentar desafios sobre-humanos.

Paulo nos ensina que a justiça pela fé não requer uma odisseia. Cristo, nosso Senhor e Salvador, fez a obra mais difícil e, tendo obtido um nome excelente, acima de todo o nome no céu, na terra e debaixo da terra, nos oferece, graciosamente, a passagem de volta para nossa casa, de onde fomos expulsos e separados de Deus em razão do pecado.

Não é necessária uma jornada ao céu ou ao inferno, pois Deus já nos mostrou, claramente, que o caminho da salvação é a fé: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2:8). A salvação é mais do que uma gentileza, é a graça de Deus oferecida a todos por amor: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.” (João 3:16,17).

Se não precisamos subir ao céu para de lá trazer Cristo, nem descer ao abismo para levantar Jesus dentre os mortos, o que devemos fazer? Essa foi, precisamente, a pergunta feita pelo carcereiro ao apóstolo Paulo em Filipos: “Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.” (Atos 16:30,31).

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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