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CUIDADO COM AS APARÊNCIAS

“Ouvindo-o todo o povo, recomendou Jesus a seus discípulos: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e muito apreciam as saudações nas praças, as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes; os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo.” (Lucas 20:45-47).

Bom dia!

Somos influenciáveis. Boa aparência, boa apresentação, boa retórica e demonstração de status facilmente nos convencem. Uma ideia apresentada na televisão e defendida por algum artista imediatamente ganha status de verdade absoluta.

Somos influenciáveis. A televisão e a propaganda sabem disso. Os nazistas utilizaram largamente a propaganda para convencer um povo altamente civilizado e inteligente, a pátria de Lutero e J. S. Bach, que os Judeus eram a causa dos problemas da Alemanha e que deveriam ser exterminados por meio de uma solução final.

Como seres sociais, vivemos em grupo e, como todo rebanho, temos necessidade de liderança, precisamos de alguém para seguir, algum modelo que solucione ou satisfaça nossa necessidade de liderança. Inconscientemente, imitamos o comportamento daquelas pessoas com as quais nos identificamos. Os primeiros são nossos pais, depois vamos, conscientemente, acrescentando outros ou substituindo os antigos modelos.

Inconscientemente, espelhamos o comportamento dessas mesmas pessoas que assumimos como modelo. Para fazer isso recebemos a ajuda de neurônios especializados em espelhar comportamento, os neurônios espelho. O neurônio espelho, uma das descobertas mais importantes da neurociência nos últimos anos, permite o aprendizado por imitação quando é necessário observar ou reproduzir o comportamento de outros seres da mesma espécie.[1]

Por essa razão, Jesus nos adverte a ter cuidado com o mercenário, aquele que manipula o rebanho e o usa em benefício próprio: “O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa.” (João 10:12). Uma voz impostada, alguns refrões decorados, muita repetição, gritos e encenação podem atrair a atenção e enganar; uma música previamente pensada e a iluminação adequada podem ajudar no processo de convencimento.

Além de nos alertar a respeito do mercenário, Jesus se apresenta como seu oposto e nos chama a segui-lo: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.” (João 10:14,15).

Não há nenhuma dúvida de que você, neste exato momento, está a espelhar alguém. Pode ter escolhido essa pessoa ou ideia de modo consciente ou ter sido arrastado para ela por meio de uma propaganda eficaz. As ideias e suas propagandas estão em toda parte: nas novelas, nos livros, nos filmes, nas músicas, nas revistas e em incontáveis outros lugares e meios. Por essa razão, vale a pena, uma vez mais, denunciar as ideias do filósofo Antonio Francesco Gramsci.

Segundo Gramsci, não adiantaria fazer discursos retóricos sobre revolução, ditadura do proletariado e paraíso dos trabalhadores. Em vez disso, eles deveriam falar sobre consenso nacional, unidade nacional e pacificação nacional. Processo democrático, em vez de revolução, deveria ser usado para alcançar as mudanças necessárias.

Segundo escreveu DeMar (2014), “Para modificar a cultura, Gramsci argumentava, seria necessária uma longa marcha através das instituições – as artes, o cinema, o teatro, as escolas, as faculdades, os seminários, os jornais, as revistas e o novo meio eletrônico [da época], o rádio.”

Você não precisará de muito esforço e busca para encontrar a grande marreta a golpear com força os valores do cristianismo. Na longa marcha através das instituições, os anticristos já não se disfarçam e um observador atento, facilmente, os identificará: “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.” (1 João 2:18).

Todo final de ano, ao aproximarem-se as festividades natalinas, fico impressionado como o ambiente é saturado com o clássico de John Lennon, a música “Imagine.” No tempo de celebrar o nascimento de Jesus Cristo, a música apresenta como mundo ideal, um lugar sem Céu, inferno ou religião. Um lugar onde os homens, como irmãos, vivem sem preocupação com o futuro. Poeticamente, sob lindos acordes e bela melodia, idealizamos um mundo fechado, um mundo sem Deus, um mundo dos homens.

Você pode até dizer que eu estou sonhando, mas está tudo aí, bem debaixo de nossos narizes: No Heaven, no hell, no religion, living for today.

REFERÊNCIA

DEMAR, Gary. Quem controla as escolas governa o mundo. Brasília: Editora Monergismo, 2014.

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[1] Disponível em: < https://revistapesquisa.fapesp.br/o-que-e-o-que-e-4/ >. Acesso em: 19 ago. 2021.

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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