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CONSCIÊNCIA E LIBERDADE

“A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado.” (Romanos 14:22,23).

Bom dia!

O pastor e ativista dos Direitos Civis americano Martin Luther King Jr (1929 – 1968) disse certa vez: “A covardia faz a pergunta: Isto é seguro? A conveniência pergunta: Isto é político? A vaidade pergunta: Isto é popular? Porém, a consciência faz a pergunta: Isto é correto?”

Quando estive no seminário pela primeira vez (estive em mais de um), tive professores que faziam questão de fazer afirmações para chocar os alunos e abalar sua fé. Alguns ficavam escandalizados e iam embora. Infelizmente, quando isso acontecia, o professor achava o máximo. Particularmente, não aprovava aquilo e achava até mesmo infantilidade.

Alguns cristãos têm pavor de bebida alcoólica e a proíbem. Alguns bebem em ocasiões especiais, outros bebem regularmente. Paulo escreveu a respeito da liberdade dos discípulos de Jesus. Segundo o apóstolo, se minha fé e minha consciência não me acusam, sou bem-aventurado. Porém, se aquilo que faço, comer ou beber, ofende e escandaliza os outros, devo guardar isso para mim mesmo, é melhor não fazer.

É importante que você saiba que as coisas não são tão soltas como parecem. Ao escrever aos irmãos da Galácia, Paulo orienta: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.” (Gálatas 5:13).

Minha liberdade em Cristo não deve ser usada para o benefício da carne. Devemos harmonizar a liberdade com a conveniência, pois, “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.” (1 Coríntios 10:23).

O árbitro de minhas escolhas e práticas, Paulo nos lembra, é minha consciência, que me defende e me acusa, em conformidade com a Lei de Deus gravada em meu coração (Romanos 2:15). Por isso, o Apóstolo apresenta, em paralelo, o trinômio fé-ação-aprovação em oposição ao trinômio dúvida-ação-condenação. De certa maneira, Paulo faz referência à lei do certo e do errado, a lei moral gravada em nossos corações e que nos faz discernir, claramente, o que devemos fazer e o que não devemos.

Segundo Agostinho (354 – 430), “Uma boa consciência é o palácio de Cristo; o templo do Espírito Santo; o paraíso das delícias; o sábado permanente dos santos.” Em relação às escolhas, a experiência da condenação passa, em primeiro lugar, pela reprovação da consciência. Alguns de nós já experimentamos algo parecido com: “Sei que isso é errado… Sei que não devia fazer… Mas, Senhor, eu quero fazer… Mas Deus, eu não consigo resistir… Vou fazer só mais uma vez”.

Ao fazer, reprovado pela consciência, aprisionados pela culpa, voltamos ao Senhor: “Pai, pequei. Tem misericórdia de mim! Tem paciência comigo e me ajude mais uma vez. Não me deixe cair em tentação, livra-me do mal.”

Calvino, ao comentar esses versículos, escreveu: “Qualquer obra, por mais excelente e distinta que pareça ser, é considerada pecado, a menos que esteja fundamentada na retidão da consciência. Deus não leva em conta a aparência externa, e, sim, a obediência interna do coração.” (CALVINO, 1997, p. 484).

Para concluir, minha fé diz respeito a mim e a Deus, não se refere aos meus irmãos. Minha liberdade em Cristo não deve ser utilizada para escandalizar o meu irmão, nem para satisfação da carne e minha consciência age como uma proteção interna, aprovando ou reprovando minhas escolhas e condutas.

REFERÊNCIA

CALVINO, João. Exposição de Romanos. São Bernardo do Campo: Paracletos, 1997.

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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