A PÁSCOA JUDAICA

“E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele.” (Marcos 14:22,23).

Bom dia!

Na história da criação, quando o homem se rebelou contra Deus e caiu, por seu grande amor e misericórdia, ao executar o juízo, consequência do pecado, Deus, de antemão, declarou sua graça: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15). No decorrer da história da redenção, o plano divino de salvação pode ser vislumbrado em diversas etapas, uma guerra no transcurso dos séculos na qual, a Páscoa é uma fase muito importante.

Se você é um leitor atento da Bíblia e compara as narrativas dos mesmos eventos, já observou que Lucas registrou esse momento de modo um pouco mais detalhado do que Marcos, como foi seu propósito declarado desde o início. Enquanto Marcos narra direta e objetivamente a Ceia, Lucas detalha um pouco mais a celebração do rito da Páscoa segundo a tradição judaica. Por essa razão, no Evangelho de Lucas, Jesus toma dois cálices (Lucas 22:17 e 20).

Antes de instituir o sacramento da Ceia do Senhor, chamada também de Eucaristia, Jesus, como judeu que veio para cumprir a Lei, celebrou a Páscoa segundo a tradição observada até os dias atuais.

Embora pareça exagerada a atenção dada à Páscoa, é necessário enfatizar que, juntamente com o Natal, a Páscoa é o evento mais importante do calendário litúrgico cristão e, no contexto da história da salvação, que aqui temos tratado como uma grande operação de resgate, é uma etapa fundamental, pois os eventos que ocorreram durante a última semana de Jesus, os ensinos e a instituição da Nova Aliança são centrais para o cumprimento do propósito de Deus.

É possível que você, como eu, tenha curiosidade em saber um pouco mais sobre a Páscoa Judaica. Por essa razão, antes de entrar, especificamente, na Ceia do Senhor, que tal saber um pouco mais a respeito de como a Páscoa é celebrada pelos Judeus?

Durante a semana da Páscoa não se come nada que contenha fermento e, dias antes da festa, limpa-se a casa de todo o fermento. Na noite que antecede a Páscoa, conclui-se a limpeza usando a luz de uma vela. Historicamente os cristãos interpretam retirar o fermento como purificação, retirar o pecado de nossa vida, mas o texto de Êxodo 12:15 não declara as razões pelas quais o Senhor ordenou essa prática.

Jesus ordenou a Pedro e a João que preparassem a Páscoa e isso envolvia bem mais do encontrar um salão espaçoso. Quatro cálices de vinho são tomados na celebração da Páscoa, mas também pode ser suco de uva. A explicação mais comum para isso é que Deus, por quatro vezes, prometeu salvar Israel: “Eu sou o Senhor, e VOS TIRAREI de debaixo das cargas dos egípcios, e VOS LIVRAREI da servidão, e VOS RESGATAREI com braço estendido e com grandes juízos. E eu VOS TOMAREI por meu povo, e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios.” (Êxodo 6:6,7).

Dois cálices são tomados antes da refeição e dois, após a refeição. De um modo geral, os intérpretes concordam que, ao instituir a Ceia, Jesus usou o terceiro cálice: “Vos resgatarei.”

Além do vinho, são utilizados três pães que lembram os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. O pão também é chamado de pão da libertação, porque os Israelitas saíram sem esperar a massa do pão fermentar (pães asmos). Jesus associou o partir do pão para a bênção, com o partir de seu corpo, o Pão é seu corpo.

Outros elementos na ceia da Páscoa incluem carpás, salsinha ou outra erva para simbolizar a primavera em Israel e o renascimento; marór, ervas amargas, símbolo da amargura da escravidão; charosét, uma mistura de maçãs cortadas, nozes, vinhos e temperos, para simbolizar a argamassa que os escravos preparavam para fazer os tijolos; betsá, um ovo duro queimado, símbolo do sacrifício que era oferecido no Templo; água salgada, símbolo das lágrimas dos Judeus, cujo clamor foi ouvido por Deus e zerôa, um osso chamuscado, normalmente da perna, símbolo do cordeiro pascal.

Jesus se identificou com o Cordeiro Pascal. Ele é o Cordeiro de Deus, o Sacrificado da Páscoa: “Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado.” (1 Coríntios 5:7).

Em vez de ocorrer no templo, o rito da Páscoa é celebrado em família, com alegria e intensa participação dos filhos, que lêem, perguntam, comentam e respondem perguntas. Nunca é demais lembrar que a casa é o primeiro templo, local para a manifestação da glória de Deus.

Cel. Cícero Nunes

Cel. Cícero Nunes

Professor Estudo Bíblico

Cícero Nunes Moreira é casado com Cibele Mattiello da Rocha Moreira. Ordenado ao ministério sacerdotal há vinte e cinco anos, autor e Pastor na Igreja Evangélica Vida com com Cristo e capelão voluntário na Policia Militar de Minas Gerais com atuação, principalmente na Academia de Policia Militar e no Hospital da Policia Militar. Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas e Coronel do Quadro de Oficiais da Reserva. Autor do Livro Religião e Direitos Humanos na Policia Militar e Segue-me! Conectando-se ao Evangelho de Lucas.

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